Brasil: 8 em cada 10 feminicídios são cometidos por parceiro ou ex-parceiro; 62% das vítimas são negras
São Paulo (SP) — A maioria dos feminicídios registrados no Brasil está diretamente ligada à violência íntima: 8 em cada 10 mulheres mortas por motivo de gênero foram assassinadas por um parceiro atual ou ex-parceiro, aponta análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública baseada em dados oficiais. Entre as vítimas, cerca de 62% eram negras, segundo o perfil traçado pelos levantamentos mais recentes.
Perfil dos casos
Os dados consolidados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 mostram um padrão recorrente na violência letal contra mulheres no país:
- Mortes por parceiro ou ex: aproximadamente 80% dos casos de feminicídio ocorreram em contextos íntimos, ou seja, com autoria identificada em companheiros e ex-companheiros.
- Recorte racial: 62% das vítimas eram mulheres negras, evidenciando desigualdade racial na violência de gênero.
- Local dos crimes: grande parte dos feminicídios acontece no interior da casa da vítima, reforçando que o ambiente doméstico é o principal cenário desses assassinatos.
Especialistas em segurança pública e direitos humanos ressaltam que esses números apontam para a persistência de padrões de violência doméstica e para a necessidade de políticas públicas específicas voltadas à prevenção e proteção de mulheres em risco. A violência de gênero, conforme observado nesses levantamentos, continua sendo uma das formas mais extremas e letais de discriminação contra mulheres no Brasil.
A dimensão do problema
Dados oficiais também mostram que o país segue com elevado número de casos de violência letal contra mulheres:
- Em 2025, foram registrados mais de 1.500 feminicídios, um crescimento em relação ao ano anterior, mantendo tendência de alta observada nos últimos anos.
- Outros relatórios que cruzam registros oficiais e monitoramento de mídia estimam que o número real de casos consumados e tentados pode superar os dados repassados às autoridades, indicando subnotificação significativa.
O que dizem especialistas
Pesquisadores e organizações que acompanham a violência contra a mulher chamam atenção para fatores que contribuem para essa realidade, como a dificuldade de acesso à rede de proteção, falhas na implementação de medidas protetivas e a cultura de machismo estrutural. Segundo análises, a presença de parceiros ou ex-parceiros no contexto íntimo das vítimas revela a necessidade de ações mais eficazes para identificar riscos e prevenir agravamentos nas relações abusivas.
Sobre o feminicídio
O feminicídio foi tipificado como crime no Brasil em 2015, quando passou a integrar o Código Penal com pena mais grave por homicídio motivado por condição de gênero, especialmente dentro de relações íntimas ou quando há histórico de violência doméstica. A legislação está prevista na Lei nº 13.104/2015, conhecida como Lei do Feminicídio.
Fonte: levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com base em dados oficiais e consolidados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública e em pesquisas complementares.
POR REDAÇÃO