Hospital de Trauma de João Pessoa reforça atendimento rápido a vítimas de AVC com protocolo de excelência
O Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, está se consolidando como referência no atendimento a vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) com a adoção de um protocolo de excelência que prioriza agilidade, precisão e humanização. A iniciativa tem feito a diferença na vida de centenas de pacientes e é uma resposta direta à necessidade urgente de intervenções rápidas para reduzir sequelas e salvar vidas.
Nos primeiros seis meses de 2025, a unidade – que integra a rede hospitalar do Governo da Paraíba – já realizou 1.732 atendimentos relacionados a AVC, um aumento de 1,35% em relação ao mesmo período do ano passado. O AVC é a principal causa de incapacidade no mundo e supera o infarto como causa de morte no Brasil. Segundo o Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil, uma pessoa morre de AVC a cada sete minutos no país.
Atendimento estruturado e ágil
Desde a entrada do paciente no hospital, todo o atendimento é norteado por um protocolo rigoroso. Assim que a suspeita de AVC é identificada, o paciente é imediatamente classificado como risco vermelho e recebe uma touca vermelha, sinalizando aos profissionais a necessidade de atenção prioritária.
O protocolo adotado é o Angels, utilizado em centros de excelência em neurologia, e tem como objetivo iniciar o tratamento o mais rápido possível – desde que o paciente esteja dentro da janela terapêutica de até 4h30 após o início dos sintomas.
O atendimento pode envolver a trombólise intravenosa, realizada na própria unidade, ou a trombectomia mecânica, feita no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, parceiro da rede. Nesse segundo caso, a janela de intervenção pode chegar a 24 horas.
“Tempo é cérebro”
Para o coordenador da Neurologia, Matheus Gurgel, cada minuto de atraso pode causar a morte de até dois milhões de neurônios. “Reduzir o tempo de atendimento entre 30 e 40 minutos pode ser decisivo para a prevenção de sequelas permanentes. Por isso, a agilidade é essencial”, ressaltou.
O diretor clínico do hospital, Matheus Enomoto, reforça que o protocolo representa um marco importante para a saúde pública da Paraíba. “Estamos salvando vidas e devolvendo qualidade de vida aos pacientes. O atendimento estruturado e multiprofissional é o que faz a diferença”, afirmou.
Equipe multidisciplinar e acompanhamento pós-alta
A assistência ao paciente não termina com a alta hospitalar. O acompanhamento continua por meio do Ambulatório de Traumatologia da Paraíba (ATP), que realiza exames complementares como eletrocardiogramas, análises laboratoriais e avaliação de vasos cervicais para prevenir novos episódios.
Além dos neurologistas, a equipe inclui enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais, que trabalham em conjunto para promover a reabilitação completa dos pacientes.
A coordenadora da emergência, Monara Thomaz Leite, destaca o impacto do protocolo. “No último mês, não tivemos nenhuma perda entre os pacientes atendidos dentro da janela terapêutica. A touquinha vermelha pode parecer simples, mas tem salvado vidas.”
Perfil dos pacientes atendidos
Entre os 1.732 atendimentos por AVC registrados em 2025, a maioria das vítimas é do sexo masculino (911), enquanto 801 foram mulheres. A faixa etária mais atingida é a de idosos com 60 anos ou mais (1.188 casos), o que representa cerca de 68,6% do total. Entre os adultos de 19 a 59 anos, foram 540 casos, e apenas quatro ocorrências foram registradas entre crianças e adolescentes. As idades com maior incidência são 68, 71 e 74 anos.
Sinais de alerta
Reconhecer os sintomas do AVC é essencial para buscar ajuda médica imediata. Os principais sinais incluem:
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo (face, braço ou perna)
- Dificuldade para falar ou compreender a fala
- Problemas de visão
- Tontura ou perda de equilíbrio
- Dor de cabeça súbita e intensa
- Confusão mental
Outros sintomas possíveis são náuseas, vômitos, convulsões e perda de consciência.
Conclusão
Com uma estrutura preparada, equipe qualificada e protocolo bem definido, o Hospital de Trauma de João Pessoa reafirma seu compromisso com a vida, oferecendo atendimento humanizado e de alta qualidade a vítimas de AVC. A unidade é exemplo de como políticas públicas bem implementadas podem transformar o cuidado em saúde e garantir melhores resultados para a população.
Por: Redação