O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, disse ao Parlamento, nesta segunda-feira (12), que vai trabalhar para que o Reino Unido melhore suas relações com a União Europeia durante uma cúpula entre os dois blocos marcada para 20 de novembro.
O premiê pediu ao Parlamento que o apoie na construção de laços mais estreitos com a UE a longo prazo, dez anos após o referendo do brexit. O acordo, ele afirmou, deve ajudar a impulsionar o crescimento econômico e envolve alinhar padrões alimentares, interligar os sistemas de comércio de emissões de carbono e permitir que mais jovens vivam, trabalhem e estudem no exterior.
“É do interesse da Grã-Bretanha garantir um acordo nesses moldes. Acredito que nossas chances de sucesso aumentarão se estivermos abertos a uma discussão sobre nosso relacionamento com a UE a longo prazo”, disse Burnham.
“Se levamos a sério a promoção do crescimento, o controle da imigração, a defesa dos nossos valores e a nossa segurança, essa é uma conversa que precisamos ter. Manter o status quo não é suficiente para a Grã-Bretanha.”
Burnham afirmou que qualquer decisão seria tomada pelo público britânico. “Tenho certeza de que a opinião pública atualmente apoia uma abordagem pragmática como a que estou sugerindo. Essa é a liderança que precisamos para pôr fim a uma década de deriva e divisão e levar o país adiante.”
A declaração ocorre em meio à reabertura do debate sobre a relação entre Londres e Bruxelas. No mês passado, Burnham disse que poderia fazer campanha pelo retorno do Reino Unido à União Europeia nas próximas eleições gerais, uma mudança significativa no debate político britânico.
Burnham argumenta que o Reino Unido não se beneficiou do brexit e deveria reavaliar as relações com os Estados Unidos de forma “calma e objetiva”.
O premiê deve apelar a todos os partidos para que apoiem a sua abordagem, afirmando que seria irresponsável ignorar a possibilidade de um novo acordo.
Realizado em junho de 2016, o referendo do brexit terminou com 52% dos votos a favor da saída do bloco e 48% pela permanência. A decisão desencadeou uma prolongada crise política no Reino Unido e alterou a relação do país com seus vizinhos europeus. À época, o premiê fez campanha para que o Reino Unido permanecesse na UE.
Desde o brexit, o interesse do Reino Unido em voltar a aderir ao bloco aumentou nos últimos anos, com a maioria dos britânicos a favor, de acordo com as sondagens de opinião.
Em entrevista ao podcast “The Rest Is Politics” (o resto é política), divulgada no domingo (11), o premiê disse que Moscou interferiu no referendo de 2016 que decidiu pela saída britânica da UE.
Burnham, que assumiu o cargo em julho, afirmou que recebeu informações sobre a atuação da Rússia ao questionar, após chegar à residência oficial do governo, em Downing Street, se houve interferência no pleito. “E a resposta que recebi foi clara: sim, houve”, disse.
O primeiro-ministro, porém, não explicou de que maneira a Rússia teria atuado na votação nem apresentou detalhes sobre as evidências que sustentariam a afirmação. A embaixada russa em Londres não respondeu ao pedido de posicionamento.
Moscou já negou ter interferido no referendo e costuma descrever as críticas britânicas como parte de uma campanha de “histeria antirrussa”. A declaração de Burnham contrasta com a posição adotada pelo ex-premiê Boris Johnson, um dos principais defensores da saída da UE, que afirmou em 2020 não haver evidências de interferência russa na consulta popular.
Um relatório do Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento britânico, divulgado em 2020, concluiu que o governo não havia investigado adequadamente a possibilidade de interferência russa no referendo. O documento também apontou que Moscou tentou influenciar a consulta de 2014 sobre a independência da Escócia, rejeitada pela maioria dos eleitores.
Ao comentar o assunto, Burnham disse que é importante tornar públicas as tentativas de desestabilização de democracias europeias. Segundo ele, a divulgação dessas informações pode ajudar eleitores de países como França e Alemanha a reconhecer a influência de atores estrangeiros sobre o debate político.
“Quero dizer, é importante deixar essas coisas bem claras agora, e acredito que isso ajudará os eleitores na Alemanha e na França a entenderem que parte dessa política é instigada por nossos inimigos, ou seja, a Rússia”, afirmou.
FONTE:
folha.com ↗
