Após ser alvejado duas vezes no fim de semana por rebeldes houthis do Iêmen, o aeroporto da capital da Arábia Saudita ficará fechado pelo menos até o próximo sábado (17). Novos ataques com drones e mísseis atingiram o reino nesta segunda-feira (12), mas até aqui não há relato de danos ou vítimas.

No sábado (10), um míssil atingiu em cheio a área de embarque do aeroporto Rei Khalid, em Riad, o segundo mais movimentado do país depois do terminal de Jedá. Ao menos 13 pessoas morreram e 309 ficaram feridas.

No dia seguinte, outro projetil lançado pelos rebeldes apoiados pelo Irã causou um incêndio no aeroporto, matando uma pessoa. São as ações mais contundentes contra a Arábia Saudita desde 2019, quando os houthis também lançaram uma onda de ataque.

Naquela ocasião, contudo, os alvos principais eram refinarias e estações de bombeamento de petróleo do segundo maior produtor da commodity no mundo. Riad apoia o governo reconhecido internacionalmente do vizinho Iêmen, que foi expulso da capital Sanaa pelos houthis em 2014.

“As pessoas estão com medo. Eu mesmo ia pegar um voo no sábado, mas não fui ao aeroporto quando recebi um aviso pelo celular. Nunca vimos algo assim”, afirmou por mensagem de texto o empresário Mohammad, que pediu para não ter o sobrenome divulgado.

Ele tem um escritório de importação com negócios no Brasil e outros países da América Latina, e disse estar preocupado com o impacto que a guerra terá no plano do governo saudita de firmar-se como uma alternativa aos dinâmicos Estados do Golfo Pérsico como centro empresarial.

Um exemplo foi visto já nesta segunda, segundo dia de uma grande conferência de executivos de empresas petrolíferas em Riad. O evento está esvaziado de empresários ocidentais devido à campanha houthi contra o aeroporto da capital e outras cidades, que começou na semana passada.

Diversas empresas aéreas suspenderam seus voos para Riad, como a alemã Lufthansa, a francesa Air France e a americana Delta. Monitores de tráfego aéreo mostram que aviões sobrevoando o reino estão usando rotas mais ao norte, longe da área conflagrada.

Nesta segunda, o ministro da Energia do país, príncipe Abdulaziz bin Salman, afirmou que o reino não irá se curvar às dificuldades. “O desenvolvimento do nosso setor de energia continua”, afirmou durante pronunciamento no evento.

Segundo Mohammad, não há ainda mudanças de comportamento perceptíveis em Riad, com os cafés da região central e shoppings frequentados normalmente. Mas temor de ataques é assunto corrente.

A crise se instalou com a nova etapa na guerra civil do Iêmen, que se insere no contexto do conflito maior entre os Estados Unidos e o Irã, iniciado em fevereiro por Donald Trump com apoio de Israel e por ora congelado. Nele, os sauditas chegaram a ser alvejados por Teerã, mas não retaliaram.

Após um bloqueio aéreo a Sanaa em julho, os houthis romperam a trégua informal vigente desde 2022, reabrindo os combates. Em setembro, fizeram avanços rápidos e tomaram a costa do mar Vermelho do país, ameaçando mais diretamente o trânsito do petróleo saudita por lá.

Desde que estreito de Hormuz, no Golfo Pérsico, foi virtualmente fechado pela guerra no Irã, Riad passou a exportar o grosso de seu petróleo pelo terminal de Yanbu, do outro lado da península Arábica.

Há duas semanas, o governo iemenita e os sauditas foram à ofensiva, retomando pontos da costa. Os houthis continuam pressionando a frente mais ao sul do país e passaram a atacar sistematicamente aeroportos e instalações energéticas do país vizinho.

O arsenal dos rebeldes, formado por mísseis e drones fornecidos principalmente pelo Irã, é poderoso e causou grande disrupção ao comércio marítimo mundial quando eles apoiaram os terroristas palestinos do Hamas na sua guerra contra o Estado judeu, de 2023 a 2025.

O conflito disparou pela primeira vez a cláusula de defesa mútua prevista no pacto militar entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, assinado em agosto.

Não está claro como isso funcionará: após o anúncio inicial de que se envolveriam, os turcos disseram que não enviarão tropas, mas ajudarão Riad. Já os paquistaneses divulgaram o reforço de seu contingente já estacionado no reino.

O governo de Islamabad tinha 8.000 soldados e um esquadrão de caças JF-17 no aliado desde o ano passado, quando assinou um primeiro acordo militar com os sauditas. É improvável, contudo, que eles sejam empregados diretamente no Iêmen.


FONTE:
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